sexta-feira, 19 de agosto de 2022

19 DE AGOSTO É O DIA DO HISTORIADOR


"A função do historiador é lembrar a

sociedade daquilo que ela que esquecer."

(Peter Burke)

Por Paulo César Silva 


O Dia Nacional do Historiador é comemorado anualmente em 19 de agosto. Essa data tem o objetivo de homenagear os profissionais que se dedicam a estudar e conhecer sobre a história das civilizações e comunidades.

A criação do Dia do Historiador foi oficializada a partir do Decreto de Lei nº 12.130, de 17 de dezembro
de 2009. A escolha do dia 19 de agosto é uma homenagem a Joaquim Nabuco (1849- 1910), nascido nesse dia, em Pernambuco. Um dos grandes historiadores do país e um dos responsáveis pela fundação da Academia Brasileira de Letras.

Vale destacar que, recentemente, os historiadores tiveram sua atividade regulamentada no ano de 2020, através da Lei 14.038/2020.

Segundo Marc Bloch (1886-1944) estudar a História não era estudar o passado, mas estudar ação humana ao longo do tempo e do espaço. Estudar a humanidade vivendo em sociedade, desenvolvendo linguagens, conhecimentos, tecnologias, Estados, culturas etc. Bloch também chama a atenção ao esclarecer que os historiadores devem “saber falar, no mesmo tom, aos doutos e aos estudantes”. Lucien Febvre (1878 – 1956) diz que a história é "uma resposta a perguntas que o homem de hoje necessariamente se põe.” Esses homens, foram grandes precursores da historiografia problematizada ou história-problema. Abandonando métodos positivistas de se fazer história (história dos heróis) voltaram-se para o todo, para a compreensão do processo histórico ao longo do tempo e a intervenção humana nesse meio, fundando a famigerada Revista dos Annales (1929-1989).

É conhecido de todos que o ofício do historiador passa, ao longo do tempo, por ataques constantes, seja pela negação, pelo desprestígio ou pela coação, pois, trazer a lume, os fatos ocorridos ao longo do tempo, nem sempre é visto com “bons olhos”, Eric Hobsbawm (1917-2012) dizia que: “[Os historiadores] são os memorialistas profissionais do que seus colegas-cidadãos desejam esquecer”. Falar de processos históricos são, por vezes, “indigestos”. Sendo assim, é dever do historiador se manter fiel ao fazimento histórico. Separar o “joio do trigo” é um dever!

Ademais, o revisionismo histórico, através de suas “novas narrativas historiográficas” camufladas de “verdade”, bem como as problemáticas Fake News, espalham desinformação e distorção dos fatos através das redes sociais. Não obstante, lançamos novos olhares sobre a historiografia, porém isso não ocorre por mera “opinião” do escritor, é notório que as novas tecnologias, por exemplo, permitem novos meios para pesquisas, ampliando o campo de análise documental, com isso, atores e fatos históricos saem do anonimato para o protagonismo por meio desse fazer.

Enfim, olhamos para o passado, com os olhos do presente, pois é nele que vivemos e nos relacionamos, como disse Lucien Febvre (1878 – 1956) “Assim eles [historiadores] atuarão sobre sua época.” o historiador é um sujeito que pertence ao seu tempo. Entretanto, evitamos transportar valores de um tempo para o outro, voltamos para o passado, buscando compreender o presente, para então, melhor interpretá-lo.

Parabéns historiadores(as), sigamos!

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PAULO CÉSAR SILVA é natural de Cruzeiro/SP, mudou-se para Campo Grande/MS aos três anos de idade, onde morou até o ano de 2016, quando mudou-se nesse mesmo ano para Tauá/CE, local em que reside atualmente. É graduado em História pela Universidade Santo Amaro (UNISA); membro titular da Academia Tauaense de Letras (ATL); membro fundador da Associação de Pessoas Com Deficiência de Tauá (APCD/Tauá); historiador; escritor; cristão; arte-finalista; assessor de produção literária; capista, e diagramador.

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