terça-feira, 1 de maio de 2018

AOS PAIS PEDOBATISTAS

Escrito por: Mark Jones
O batismo infantil inflige o temor de Deus em mim.
Ele realmente estabelece — de uma forma pública e visível — um relacionamento pactual. Um relacionamento de amor, envolvendo promessas e responsabilidades, bênçãos e maldições, é iniciado por um Deus gracioso, que sempre tem de começar um relacionamento pactual com o seu povo. Mas as responsabilidades, promessas e ameaças não estão vinculadas unicamente ao indivíduo. Elas são responsabilidades, promessas e ameaças corporativas. O batismo é batismo em Cristo, e tudo o que isso significa (p. ex., batizados em seu corpo).
O temor de Deus resulta do fato que ele escolheu identificar-se com os meus filhos. Em outras palavras, meus filhos não são, fundamentalmente falando, meus filhos. Eles são, por meio do batismo, filhos de Deus. O batismo é uma cerimônia de adoção por meio da qual a criança batizada é publicamente trazida para dentro do reino de Deus, a sua família. A ideia de criar os filhos de Deus é, de fato, séria.
O batismo não é um sinal da fé do meu filho. Antes, batismo é um sinal para o qual ele deve olhar e receber pela fé até a morte. A circuncisão não era um sinal de fé, mas um sinal que a fé abraçava ou para o qual olhava (cf. Rm 4.11). O batismo representa Cristo (Gl 3.27), em quem a nossa fé deve descansar. No batismo, Deus toma a iniciativa para com os nossos filhos. Ele lhes é favorável (“Você é meu filho, a quem eu amo”), e eles respondem em fé ao seu “cortejo”.
De forma crucial, como um pai, quando as águas do batismo são despejadas sobre a cabeça do meu filho, sou confrontando com a séria — porém gloriosa — realidade de que estou criando os filhos de Deus para a sua glória. Porque os meus filhos pactuais pertencem a Deus e a Cristo, em termos da natureza da igreja visível, os riscos são altos. Muito altos.
Sim, nós temos a promessa (At 2.39), mas o batismo é, também, uma lembrança solene para aqueles que não respondem em fé, esperança e amor ao Deus que pôs o seu selo sobre eles. O selo do batismo é mais permanente do que uma tatuagem, pois tem consequências eternas — seja para o bem, ou para o mal. O batismo é um alerta aos pais de que eles não podem “pegar leve” ou presumir sobre a graça de Deus. Eles são, afinal, investidos com a responsabilidade de criar os filhos de Deus. E por isso os pais devem ser, como os pioneiros da nossa fé (Hb 12.2), exemplos para os seus filhos do que significa viver pela fé.
Eis a razão de um batismo público ser tão importante: pais fazem votos em público perante Deus e a igreja. No batismo, Deus visivelmente nos comunica palavras de graça, e nós, por nossa vez, respondemos. Essa é a orientação pactual encontrada nas Escrituras.
Ora, se a realidade de que você está criando os filhos de Deus o induz a ser negligente em sua abordagem do culto doméstico, da adoração comunitária, educação, admoestação, ensino, disciplina, etc., em relação aos seus filhos, então você pode não ter um entendimento adequado do Deus da Bíblia.
A dinâmica pactual em que pais e filhos entram é aquela em que rejeitar a Cristo, que é oferecido no batismo, traz aqueles que rejeitam semelhante graça para debaixo de uma maldição divina. É por isso que, na Ceia do Senhor, você pode comer e beber juízo para si mesmo se o fizer em incredulidade (1 Co 11.29).
Assim, o batismo infantil é Deus tomando a iniciativa de pregar o evangelho e chamando o filho a arrepender-se, crer, e viver, para o resto de sua vida, para a glória do único em cujo nome ele é incorporado, ou encarar a terrível realidade de que os violadores do pacto haverão de enfrentar um julgamento mais severo do que aqueles que nunca receberam tais bênçãos. Os pais não deveriam ser ignorantes dessas coisas. Pois a quem muito é dado, muito é esperado.
Como bem disse Lutero, “Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, quando disse Poenitentiam agite [lat. Arrependei-vos], quis que a vida toda dos crentes fosse arrependimento”. Nada mau para quem cria na regeneração batismal 

segunda-feira, 19 de junho de 2017

   

Uma desculpa dos "Dedigrejados"é usar o termo grego "Ekklesia" como "chamado para fora" usando assim a desculpa de que ir a uma reunião em um templo é religiosidade ou coisas do tipo.
vejamos...

Igreja/Eclésia significa “chamados para fora” no Novo Testamento.

Você já ouviu alguém falando que igreja é no original ekklesia significa “chamados para fora”, então “a igreja é um povo chamado para fora do_____ (inclua aqui tudo o que a pessoa não concorda: mundo, sistema religioso, parede e por aí vai)”. O problema é que a raiz de uma palavra nem sempre fornece o significado no tempo em que foi usada. Por exemplo, entendemos hoje gentileza como cortesia, mas no latim gentilis era quem pertencia à mesma família ou clã. Então, apesar de algumas vezes útil devemos tomar cuidado com o “significado oculto da raiz da palavra”. Veja o que Robert Cara, em artigo bem interessante chamado “Cuidado com o Significado Oculto da Raiz de uma Palavra“, escreve sobre ekklesia:
No grego, mais do que no português, muitas palavras são uma combinação de duas outras palavras, mas geralmente o estudo etimológico do porquê e de quando essas palavras foram combinadas é completamente desconhecido pelo autor do Novo Testamento. A palavra grega ekklesia, que é geralmente traduzida por “igreja”, é uma combinação das palavras chamar e fora. Contudo, os dicionários gregos acadêmicos não dão a definição de “os chamados para fora” para a palavra ekklesia, porque ela não está sendo usada dessa maneira no Novo Testamento. Embora seja teologicamente verdadeiro que cristãos tenham sido chamados para fora do mundo pecaminoso para ser a igreja, essa verdade não é derivada da palavra ekklesia. Semelhantemente, no inglês moderno a palavra butterfly (borboleta) é claramente composta das palavras butter (manteiga) e fly (mosca), mas isso não nos ajuda a entender melhor o inseto.
A Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã traz a seguinte definição para igreja:
“No NT, “igreja”traduz a palavra grega ekklēsia. No grego secular, ekklēsia designava uma assembléia pública, e este significado ainda foi mantido no NT (At 19.32, 39, 41).
No AT hebraico a palavra qahal designa a assembléia do povo de Deus (e.g. Dt 10,4; 23.2-3; 31.30; Sl 22.23), e a LXX, a tradução grega do AT, traduz esta palavra por ekklēsia e synagōgē, igualmente. Até mesmo no NT, ekklēsia pode significa a assembléia dos israelitas (At 7.38; Hb 2.12); mas, à parte destas exceções, a palavra ekklēsia no NT designa a igreja cristã, tanto local (e.g. Mt 18.17; At 15.41; Rm 16.16; 1 Co 4.17; 7.17; 14.33; Cl 4.15) quanto universal (e.g. Mt 16.18; At 20.28; 1 Co 12.28; 15.9; Ef 1.22).

É interessante notar que algumas das pessoas que enfatizam o “chamados para fora” são também contra a reunião dos crentes em um prédio para cultuar a Deus. Contudo, como o uso do termo ekklēsia mostra, a igreja é uma assembléia (ou seja, uma reunião) e a igreja em Atos se reunia sim em locais fechados para cultuar a Deus, orar e ouvir a Palavra.

Ora, estes de Beréia eram mais nobres do que os de Tessalônica; pois receberam a Palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim. (Atos 17:11)


Exegese x Eisegese

Enquanto a exegese consiste em extrair o significado de um texto qualquer, mediante legítimos métodos de interpretação; a eisegese consiste em injetar em um texto, alguma coisa que o interprete quer que esteja ali, mas que na verdade não faz parte do mesmo. Em última instância, quem usa a eisegese força o texto mediante várias manipulações, fazendo com que uma passagem diga o que na verdade não se acha lá.
                PEQUEI, E DAÍ?

          A falta do exercício da disciplina na Igreja sobre membros e líderes faltosos é consequência do conceito largamente difundido entre os evangélicos de que os crentes não são responsáveis por seus atos diante de outros, e especialmente, de que não dão conta de seus atos às igrejas das quais participam ou lideram.
Primeiro, há quem considere o exercício da disciplina como uma violação do mandamento de Jesus, “não julgueis para que não sejais julgados” (Mat 7:1). Essa interpretação é totalmente falsa. O julgamento que Jesus proíbe é o julgamento hipócrita, isto é, condenarmos os outros sem prestarmos atenção em nossos próprios pecados (veja versos 3-5). A prova que Jesus não estava fazendo uma proibição geral contra o julgamento se encontra nos versículos seguintes, quando Ele determina aos discípulos: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mat 7:6). Para que possamos obedecer a esse mandamento, temos de determinar quem é porco e quem é cão. Ou seja, temos que julgar. Além disso, foi o próprio Jesus quem determinou os passos para o exercício da disciplina na Igreja (Mat 18:15-17).
Segundo, para muitos a disciplina é uma violação do mandamento do amor. É considerada como falta de amor cristão para com o irmão caído. Essa interpretação falsa do amor cristão não leva em conta o ensino bíblico de que Deus disciplina exatamente aqueles que Ele ama (Heb 12:6; cf. Deut 8:5; Sal 89:30-34; 11975; Prov 3:12; 13:24; etc). Fechar os olhos para o pecado do irmão não é amor. É ódio. É desejo de vê-lo afundar-se mais e mais no pecado.
Essas atitudes têm servido para que evangélicos vejam a disciplina como algo punitivo, injusto, vingativo e opressor, levando muitos a acharem que devem prestar contas de seus atos somente a Deus. E às vezes, nem isso.
Se esse estado de coisas não mudar, veremos o crescimento de uma geração de cristãos irresponsáveis, que não reconhecem seus erros e pecados, que desconhecem o valor e a necessidade da disciplina, e que não percebem a seriedade e a gravidade do pecado e suas conseqüências na vida do discípulos de Cristo e a importância de corrigir publicamente os pecados públicos, como Jesus corrigiu publicamente a mulher adúltera. Ele não a condenaria com pena de morte, como os fariseus desejavam, mas corrigiu sua vida imoral em público, dizendo “vá e não peque mais”.

A ABOLIÇÃO INACABADA: LIBERATA E O PÓS-1883 NO SERTÃO DOS INHAMUNS

  Ilustração: ALBUQUERQUE, Lucílio de. Mãe Preta . 1912. Pintura. Paulo César Silva [1] O Ceará ocupa um lugar de destaque na historiograf...